segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Uma Breve História do Cristianismo (resenha)

O livro tem a palavra breve em seu nome mas tem mais de 300 paginas e, menos de 10% fala de cristo, Georffrey Blainey (escritor) escolheu escrever cronologicamente sobre a história do cristianismo, desde as dúvidas e certezas que cercam seu possível local de nascimento. Dentro deste método de escrita Blainey ao longo do livro escolheu um momento especifico para citar várias pessoas que entraram para a história do cristianismo, momento este que estes "grandes homens" recebem a presença do Espírito Santo. Mesmo sendo um livro que narra a história do cristianismo Blainey tomou muito cuidado ao ponto de realmente percebermos a imparcialidade dele ao narrar trechos importantes da história da religião que detém aproximadamente 30% da população do mundo (segundo o livro).
Georffrey Blainey
Algo interessante no inicio do cristianismo é o fato de quando os pais eram convertidos e se batizavam, as crianças da família já eram batizadas juntas e os cristãos costumavam se encontrar na casa de algum fiel "A maioria dos cristãos dizia reunir-se para "dividir o pão"". Ao percorrer do livro sua narrativa aponta vários fatores e informações que fizeram o cristianismo crescer, decair, crescer, decair, isso ocorreu algumas vezes. O livro relata várias vezes o atrito entre cristãos fervorosos contra imperadores e reis, histórias como Ário versus Constantino e os ortodoxos, Ário defendia que Cristo não era igual a Deus, depois de muito debate sobre o assunto Constantino que não gostava de divisões dentro da igreja que era protetor decidiu reunir todos lideres religiosos em uma reunião, e por surpresa, um tema que era o foco das discussões sobre Cristo na época foi decidido em consenso (Cristo é igual a Deus) 325 D.C., Ário que antes disso era seguido por mais de 700 virgens foi mandado para o exílio, mas seus seguidores conseguiram nada menos que converter povos bárbaros com essa mesma tese. Só por curiosidade, Constantino foi batizado por alguém que acreditava nas ideias de Ário .
Uma Breve História do Cristianismo
O livro também cita importantes nomes do cristianismo na África que entraram para a história, nascendo eles na África ou não. Cita a ascensão e declínio de grandes frentes do cristianismo como os beneditinos aproximadamente no ano 560 D.C.. A ascensão dos mosteiros no inicio do século XI, e narra também como funcionavam estes mosteiros (por dentro), como recebiam monges andarilhos e como importantes mosteiros, como o Cluny.
Mosteiro (abadia) de Cluny

No decorrer do livro Blainey conta do porque de algumas datas, como por exemplo a importância da quinta-feira no fim da Idade Média. Como já dito antes, também narra trechos da vida de grandes nomes do cristianismo, como o filho de um pequeno magnata chamado Francesco di Pietro di Bernardone, assim como as irmãs Cotovia e Peixe. Assim como conta de histórias paralelas de lugares diferentes das contadas anteriormente, como é o caso dos dominicanos. A importância da Península Ibérica para a vitalidade do cristianismo na Idade Média.
São Francisco de Assis
 Aproximadamente no meio do livro, inicia-se a narração da reforma protestante, citando detalhadamente algumas ações de Lutero, Henrique VIII e Zuínglio (não nessa ordem). Sem esquecer piadas históricas como a Bíblia do Melado. Vale a pena enfatizar que, mesma a primeira versão inglesa oficial da Bíblia tendo virado motivo de piada em momentos menos fervorosos da igreja, Tyndale, o precursor da tradução inglesa da Bíblia, foi morto por causa disso. No livro ele explica do possível porque do uso da palavra melado ao invés de balsamo.
 
Bíblia do Melado
Não existe história do cristianismo sem citar João Calvino, nascido uma geração depois de Lutero, e assim como Lutero, tanto sua obra em vida como sua influencia depois da morte fica razoavelmente bem explicito no livro.
Neste momento percebo que esta resenha pode virar um resumo (estou evitando ao máximo), entretanto justifico isso por causa do tema. Os nomes e as histórias citadas aqui (ainda nem cheguei ao século XVII) são inspiradores. Assim como John Knox, as linhas de batalha que realmente foram travadas só por causa da religião e, guerras santas que só usaram o nome da religião como pretexto.
Neste trecho da resenha não posso deixar de enfatizar que os motivos que levaram a reforma protestante assim como a "raiva" de Lutero ficam claras. Onde já se viu pagar em dinheiro para ter os pecados futuros absolvidos? Isso, no século XV existia.
John Knox
Mas a história do cristianismo não fica resumida somente a Europa, percorrido 1/3 do livro já se começa a narrar os "confins da terra", e mais para o final do livro ele cita o Brasil, muito bem citado por sinal, enfatizando sua importância dentro da América Latina.
Lendo esse livro percebi que no século XX os piores inimigos do cristianismo foram o Nazismo, Socialismo e Comunismo. E mesmo Mussolini sendo ateu, ele não perseguiu os cristãos e devolveu parte de Roma (Estado do Vaticano) a Igreja Católica.
Vaticano
Não poderia de terminar essa resenha citando alguém extremamente influente para o cristianismo, que é citado no livro como o mais influente cristão do seu século, John Wesley (igrejas metodistas).
John Wesley
Existem aqueles que por seguir seus ideais foram caçados,
E por isso entraram para a história,
E existem aqueles que pelos seus ideais foram perseguidos,
E não conseguiram fazer história,
Dedico essa resenha a todos aqueles que foram perseguidos,
E não conseguiram influenciar a nossa história atual. - Alam Maia

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