terça-feira, 3 de junho de 2014

Acampamento Dom Tomás Balduíno - MST - parte 1 - A OCUPAÇÃO

Sábado dia 31/05/2014 participei de uma ocupação do MST, e decidi fazer este artigo pois foi uma das melhores experiencias da minha vida. A ocupação foi na fazenda São João do Tibiriça, localizada na cidade de Galia, centro-oeste paulista. A única pessoa que estava na propriedade no momento da ocupação (aproximadamente 5 horas da manhã) era o caseiro, esta fazenda tinha 5 casas vazias e totalmente abandonadas, sem contar que não tinha nada plantado, os primeiros animais que vi, alem dos cachorros do caseiro foram 3 cavalos, depois vi algumas cabeças de cago, entretanto, essa fazenda é muito grande para ter só isso.

Na manhã de sábado o acampamento recebeu a visita do arrendatário, alguns "amigos" e de policiais militares. O arrendatário queria pegar um trator, em consenso os militantes do MST falaram que liberavam o trator se ele mostrasse a nota fiscal, só mostrar a nota fiscal. O arrendatário não quis.

Depois da conversa terminar fui ver como estava o acampamento, algumas famílias já tinham montado suas barracas.

Depois fui visitar três das 5 casas abandonadas, tem muito vida nessas casas, principalmente na sede, incontáveis famílias de morcegos, cupins, e trepadeiras e três caixas de cervejas com todos os fardos vazios, provavelmente de 2004, pois nessa casa tinha uma pasta de dente que a data de validade era de 2004, porem, o restante das coisas parecia estar a décadas lá. Praticamente vazia, a não ser o porão, que estava cheia de morcegos e garrafas vazias de todo tipo de bebida. E um talão de cheques de 1971.

ASSEMBLEIA.... Horas depois teve uma assembleia, a coordenação do MST explicando para os acampados como funciona uma ocupação, tais como regras de quem fica na portaria e criando de vez uma rotação nas pessoas e cidades que cuidariam da porteira.

CENA INUSITADA POREM ESPERADA: Vi um homem cortando lenha em frente a cozinha comunitária. Sei que isso parece óbvio, mas, entre o acampamento e a porteira essa cena me chamou a atenção. Pessoas ignorantes e parte da grande mídia costumam taxar os militantes do MST de vagabundos, mas, eles constroem seus próprios barracos (casas), e para ter comida eles cortam suas próprias lenhas, vão atrás de vaga para as crianças em alguma escola da cidade onde se encontra o acampamento. Eles não são vagabundos e se eu já defendia antes, agora eu defendo ainda mais.

HORA DE DORMIR: Ninguém deu nenhuma função para mim, então eu fiquei na portaria e ajudando o pessoal que eu estava conversando a pegar lenha dentre outras coisas. Iria dormir dentro do carro de um amigo, mas, dois carinhas muito provavelmente mais novos que eu me convidaram para dormir na barraca deles (enquanto estávamos na portaria), aceitei. Perguntei se eles trouxeram suas famílias para o acampamento e eles me responderam que não tinham, eram solteiros, dai perguntei se pessoas solteiras tinham chance de receber seus lotes e eles disseram que sim, até dentro da reforma agraria existem cotas, e existe uma cota para pessoas jovens, para repor a migração de jovens que vão para a cidade por não terem um lote na zona rural. Dentro da barraca deles tinha, pão, leite, roupas, panelas, comida, etc. Conversamos por alguns minutos e dormi.

O segundo dia não foi muito diferente mas na hora de sair do acampamento algo estranho aconteceu. Mas isso deixo para o próximo artigo, que será intitulado "Acampamento Dom Tomás Balduíno - MST - parte 2 - JAGUNÇOS".

"O cara se cansou de andar no mundo cão,
Na janta com a família veio a solução" - Formidável Mundo Cão - Jay Vaquer

Obrigado para quem lei o artigo, sempre quando acontecer algo formidável postarei aqui, até mais.

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